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jan
28

Marcio Magliano + Portal do Handebol

Com muita honra que apresento mais uma parceria do Portal do Handebol com o Técnico Marcio Magliano, que apesar de jovem (27 anos) dirigiu a equipe do Equador nos Jogos Sul Americanos de Praia – Uruguai 2009 – alcançando a quarta colocação!

marcio magliano

Currículo resumido:
Niteroiense de 27 anos, licenciado e bacharel em Educação Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ex-atleta de handebol e handebol de areia com passagens pelo Niterói Rugby FC, Rio Handebol Clube, Grande Rio/Duque de Caxias e Rio Handbeach. Atualmente, além de professor da rede estadual do RJ, é treinador do Rio Handbeach, Icaraí Handbeach e AABB Niterói (Indoor). Recentemente atuou também como técnico da seleção equatoriana de Handebol de Areia nos I Jogos Sul Americanos de Praia.

Principais Conquistas com o Handebol de Areia
- Campeão Brasileiro 2008/2009
- Campeão do Hand Fest Esportivo de Macaé – RJ 2009
- Campeão do Desafio Rio-Niterói de Handebol de Areia – 2009
- Vice Campeão Carioca 2009
- 4º lugar nos I Jogos Sul Americanos de Praia, Uruguai 2009.

Entrevista

1. Quais suas metas no handebol para 2010?

Tenho algumas metas importantes para 2010. Dentre elas: conquistar o bicampeonato brasileiro de beach com o Rio Handbeach, ajudar o Equador a alavancar a prática do Handebol de Areia e dar continuidade aos meus projetos em Niterói, com o Icaraí Handbeach e a AABB, com o handebol indoor.

2. Quando e por quais motivos você deixou a carreira de jogador para a de técnico?

Na verdade não foi uma escolha minha. No início de 2008 descobri que tinha uma doença renal, que é incompatível com a vida de atleta. Meu médico me proibiu de jogar competitivamente desde então. Mas eu já era treinador desde os 18 anos e, de 2008 pra cá, venho me dedicando exclusivamente à carreira de treinador.

3. Qual a periodicidade dos treinos do Rio Handbeach?

Isso varia um pouco. O nosso “normal” é 3 treinos por semana. Cada treino com duração aproximada de 1 hora e meia a 2 horas. Acontece que quando mais próximos de alguma competição importante (e há várias ao longo do ano), aumentamos a carga para até 5 vezes por semana.

4. Como surgiu a oportunidade de dirigir a Seleção do Equador?

Tudo começou com a ida do professor Guerra ao Equador, em fevereiro de 2009, para dar um curso. Ao final desse curso e muito empolgados com as possibilidades, a Federação Equatoriana pediu a ele uma indicação de treinador para ajudar a desenvolver o trabalho por lá. O Guerra acreditou no meu trabalho e fez a indicação, a partir daí comecei a negociar diretamente com o Sr. Miguel Nácer (Presidente da Federação) e chegamos a um bom acordo para os Jogos Sul Americanos do ano passado, no Uruguai.

5. Como foi a fase de treinamento?

Olha, foi duro. Muito duro. Além de ter chegado lá sem falar espanhol, é complicado chegar para treinar uma seleção nacional num país que não tem a cultura do handebol. O jogador mais experiente da seleção tinha 3 anos de handebol (indoor) e jogado poucas vezes o beach.

A solução? Treinamos demais! Treinamos em 2 períodos todos os dias. Dava uma folga quando via que os caras não estavam agüentando mais. Nos últimos 11 dias viajamos para uma cidade chamada Playas, onde ficamos no esquema de concentração total com 2 treinos diários e vídeos e debates sobre tática a noite. Foi muito interessante.

No total foram uns 40 dias de preparação no Equador, chegando no Uruguai treinamos um dia e, no outro, jogamos um amistoso contra o Brasil, que serviu para quebrar um pouco o nervosismo da rapaziada.

6. Qual a sensação de enfrentar a equipe Brasileira e também seu amigo e mestre Guerra no banco adversário?

Pra ser sincero, desde o começo da preparação sabíamos que nossos jogos importantes não seriam contra Brasil e Uruguai. Então foi uma partida em que procurei não me preocupar muito. Fui com a cabeça fria, mas é claro que me senti extremamente privilegiado de estar naquela condição. Foi uma experiência ímpar.

7. Haverá continuidade ao trabalho em 2010? Já tem algo combinado?

Bom, a ideia é que haja a continuidade pelo menos até 2011, quando serão realizados os próximos Jogos Sul Americanos de Praia, numa cidade equatoriana chamada Manta. O Comitê Olímpico e o Ministério dos Esportes ficaram contentes com o 4º lugar alcançado no Uruguai e me parece que estão dispostos a investir na busca por uma medalha jogando em casa. Ainda não estou com nada fechado, mas acredito que em breve tenha alguma notícia.

8. Qual a importância do COB ter escolhido o Gil Vicente do hand beach o para ser o responsável por portar a Bandeira Nacional na abertura dos Jogos Sul Americanos de Praia 2009? Além da honra para o Gil, este destaque chamou a atenção da mídia para a modalidade?

Eu achei particularmente interessante essa escolha. Porque já havia jogadores de Beach Soccer e de Vôlei de Praia por lá, teoricamente esportes com mais notoriedade. O handebol de areia brasileiro está num nível de excelente que mereceu muito essa honraria. O Gil é um dos jogadores que participaram de todas essas conquistas e que ainda estão na seleção até hoje. Sem contar que o cara ainda foi chamado recentemente para a seleção de quadra. Além de ser um grande amigo é um atleta incrível.

Agora quanto a mídia, é aquilo: chamou um pouco a atenção no momento, mas nada que vá gerar frutos para o handebol. Se nem títulos mundiais, de World Games foram suficientes, não sei o que será. Acredito que teremos o nosso espaço num futuro próximo, já que o beach handball foi criado num formato perfeito para ser televisionado, com jogos curtos, espetaculares e emocionantes.

9. O handebol de areia brasileiro tem pouquíssimo apoio até mesmo da CBHb, ainda assim conseguimos grandes vitórias. Qual a diferença que você vê nas equipes brasileiras e estrangeiras?

As equipes brasileiras de beach esbarram nos mesmos problemas que as de quadra: falta de estrutura. O Brasil conta com os campeonatos estaduais, um brasileiro com cinco etapas espalhadas pelo Brasil, além de Taça Kika, Itajaí Cup etc. Se uma equipe tivesse condições financeiras de jogar tudo isso, com certeza estaria num nível mais alto.

O Brasil está hoje no topo, mas eu me preocupo. Na Europa começaram a realizar o Europeu de seleções em 2000 e já aconteceram 6 até agora. Fora que já começaram a realizar campeonatos europeus juniores e de clubes também.

A realidade aqui é outra. Praticamente só temos competição na categoria adulta (Apesar de RJ e SP já terem realizado competições juvenis, ainda não é algo muito regular). Nas Américas só houve 4 Pans masculinos e 2 femininos até agora. E olha que começamos antes. (O primeiro Pan foi no Rio em 1998)

10. O que você mudaria no handebol nacional para sua evolução?

Olha, o Handebol de Areia é uma modalidade bem nova. Nasceu em 1994 e chegou ao Brasil em 1995. Acho que estamos no caminho certo e percebo algumas melhoras graduais na estrutura da modalidade, apesar de estarmos tendo problemas para a realização da fase final do Brasileiro esse ano.

O professor Guerra lançou uma proposta em seu blog na qual acredito muito, que é o nivelamento dos treinadores de beach handball do Brasil através de cursos periódicos. É uma das coisas que sinto falta na quadra e que estamos tentando implantar na areia: a qualificação permanente.

Um outro fator muito interessante, que ocorreu ano passado, foi a entrada da Metodista no circuito nacional. Eles fecharam uma parceria com a equipe de São Vicente e se fizeram representar na fase final. Hoje já contam com vários jogadores da seleção brasileira e acredito muito que esse tipo de iniciativa vai contribuir bastante para atrair atenção para o handebol de areia. Se mais instituições de peso apostarem na areia, tenho certeza que irão colher muito frutos.

11. O que achou do convite para começar uma coluna sobre Beach Handball no Portal do Handebol?

Acompanho o Portal do Handebol desde o seu surgimento e toda iniciativa nesse sentido sempre me agradou. Alguns sites antigos, com uma proposta parecida, mas menos ambiciosa surgiram e não conseguiram manter-se por tanto tempo. Já escrevi alguns artigos para os “falecidos” amigosdohandebol.comhandebolbrasil.net e sempre gostei muito.

A ideia da coluna envolve escrever periodicamente e é uma responsabilidade muito grande, já que o portal tem uma média de acessos mensal tão alta. Mas espero que os fãs do handebol conheçam um pouco mais sobre o beach e que os fãs do beach possam aproveitar de alguma forma. Finalizando, fiquei muito honrado com o convite e vou fazer o melhor que puder.

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4 comentários

  1. Leticia disse:

    Bom, eu adoro handebol seja na quadra ou na areia. O portal está bem legal, meus parabéns.
    Conheço o Marcinho, ele é um profissional sério e muito competente, excelente pessoa para se entrevista quando o assunto é handebol de areia.
    gostaria de dizer que adorei a entrevista, eu aprendi muito.

    abraço.

  2. Cyrillo disse:

    Parabens Márcio pela nova empreitada !!!
    Mas um espaço para a divulgação do nosso esporte
    Abs

    Cyrillo
    Seleção Brasileira de Handebol de Areia

  3. Scultori disse:

    Excelente caráter e profissional dedicado. Pra mim, um amigo! Sucesso!

  4. marcia disse:

    Parabéns pela garra e competência que abrem suas portas para o sucesso. Como sempre estou na torcida. bjs Márcia

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