Na etapa de preparação especializada os alunos/atletas já se definiram por uma modalidade, no entanto, estes devem receber estímulos diferenciados no começo desta etapa de especialização esportiva, o trabalho especializado deve acontecer após os 14 anos de idade, em que os movimentos relacionados às habilidades esportivas passam do estágio específico geral para o estágio especializado. Dessa maneira, acontece o aperfeiçoamento do aprendizado anterior, porém, com maior intensidade e dedicação nos treinamentos e competições.
A partir dos 15 a 16 anos, cresce intensamente a motivação frente ao treinamento da modalidade escolhida, “a especialização extremamente estreita quando se ignora o necessário desenvolvimento multilateral, contradiz o desenvolvimento natural do organismo principalmente nas idades infantis e juvenis” (Gomes, 2002, p. 57).
Do ponto de vista pedagógico, destacam-se, na etapa de especialização, os exercícios rigorosamente regulamentados, os quais constituem a base da especialização dos atletas e são apontados como exercícios competitivos, especiais e gerais. Os exercícios gerais não apresentam semelhança com os principais gestos realizados nas competições e os exercícios especiais abarcam parâmetros muito semelhantes aos da competição.
Assim, os exercícios especiais podem ser aplicados em várias situações na preparação física e também serem desenvolvidos junto com o treinamento dos fundamentos específicos (técnica), e ainda nas situações táticas de 2×2, 2×1, 3×2.
A especialização deve levar a um conjunto de informações sobre os fatores inerentes ao desenvolvimento da educação e do aprimoramento físico e técnico-tático, como também a outros fatores que complementam o treinamento: preparação psicológica, alimentação, horas de sono, estudos sobre os procedimentos metodológicos, dentre outros.
Sendo a especialização dos jogos desportivos coletivos uma etapa subsequente à iniciação esportiva, acreditamos em uma pedagogia que abarque o treinamento específico para levar o atleta à alta performance esportiva. Desta maneira, o pivô terá experiências diversas antes da dedicação exclusiva na sua função, tais como dominar muito bem os fundamentos do drible, passes, arremessos de longa distância, recepção etc., e, quando necessário, o atleta saberá utilizar esses recursos nas competições. Nos desporto coletivo, principalmente nos aspectos físicos, técnicos e táticos, enfatiza-se essa pedagogia, a qual diverge nos objetivos e metas em relação à iniciação esportiva. Devemos propor, para o treinamento físico, o desenvolvimento das capacidades físicas – força, velocidade, resistência, coordenação, flexibilidade – e nos procedimentos pedagógicos utilizados no treinamento a busca do aperfeiçoamento no próprio campo de jogo, procedendo à interligação com a preparação técnica-tática, e fora do campo de jogo, utilizando-se dos aparelhos da sala de musculação, pistas etc.
No treinamento técnico deve ocorrer o aperfeiçoamento dos fundamentos específicos do handebol, o passe, a recepção, o drible e o arremesso podem ser treinados com a utilização dos seguintes métodos:
• Método de ensino integral das ações motoras técnicas utilizando-se de exercícios e jogos de forma global;
• Método de ensino analítico sintético – o ensino da técnica é realizado por partes;
• Método situacional – situações de jogo em 2X2, 3X3, 2X1, 3X2.
Todos os métodos são relevantes e devem ser utilizados pelos professores/técnicos, e ainda outros métodos podem ser criados, para propiciar aos atletas maior número de informações através de práticas não repetitivas e motivantes.
No treinamento tático, busca-se desenvolver os sistemas mais complexos, tanto ofensivamente, quanto defensivamente, por intermédio das estratégias. Sobre esse assunto, recorremos aos estudos de Garganta (1998), nos quais o autor enfatiza alguns fatores imprescindíveis para o treinamento da tática nos jogos desportivos coletivos: a necessidade de analisar a estrutura e a dinâmica interna de cada jogo coletivo, no sentido de configurar a sua especificidade; e também determinar as linhas de força que permitem moldar o treinamento de acordo com a competição. Em relação a essa análise, busca-se o desenvolvimento complexo dos mais diferentes planos, físico, técnico-tático, aliado às reais condições de competições, nas quais a tática é dependente das competências físicas, técnicas e da filosofia objetivada pelos técnicos, com base no pensamento estratégico. Essa relevância é atribuída à definição de um quadro prévio dos princípios, ações e regras da gestão do jogo que balizem o direcionamento do treinamento e possam regular a competição.
Outro fator relevante é a crescente importância atribuída à dimensão cognitiva do desenvolvimento do rendimento dos atletas. A relevância dos aspectos cognitivos se dá na medida em que os hábitos de cada jogador voltam-se para a leitura do jogo, evitando, assim, jogadas estereotipadas, que impedem a criatividade nas ações táticas. Nos jogos desportivos coletivos, torna-se importante desenvolver, nos jogadores, competências que transcendam a execução propriamente dita, centrando suas capacidades cognitivas nos princípios das ações que regem o jogo, ou seja, comunicação entre os jogadores, obtenção de ótimos posicionamentos nos espaços vazios e a percepção antecipada das ações dos adversários.
Há crescente relevância atribuída ao erro, com ocorrência contrastante em relação aos comportamentos desejados que movem a harmonia entre os elementos de uma mesma equipe. Um dos problemas frequentes, nos jogos desportivos coletivos, é quando algum jogador ou grupo de jogadores comete um erro, interferindo no desempenho da equipe. Ora, o pensamento coletivo não pode ser penalizado por erros individuais. Deve-se, então, utilizar o erro para treinar a recuperação defensiva, promover a integração dos jogadores e novamente buscar a exploração dos contra-ataques e elaboração do ataque, partindo da desorganização ocasionada pelo erro até a organização coletiva.
Esta é uma ideia básica da gestão do conteúdo dos treinamentos da equipe cadete, ao treinador é imensamente importante desenvolver a sensibilidade para ditar o ritmo da evolução de seus futuros atletas. Sucesso a todos.
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1 comentário
dayane disse:
1 de outubro de 2010 em 16:01 (UTC -3)
tenho 16 anos e ja joguei por quase 5 anos handebol e quero voltar a treinar tem como eu treinar na metodista como eu faço ?