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jun
21

Tipos de jogos e atividades utilizadas no Mini-Handebol

Olá amigos do handebol! Iremos continuar com a nossa série de artigos sobre o mini-handebol e tenho recebido muitos e.mails perguntando quais seriam os tipos de atividades mais indicadas para os praticantes da atividade.

Em uma área relativamente nova, poucas são as bibliografias que discorrem sobre o tipo de exercícios a serem aplicados no mini-handebol, exceto as publicações da IHF, EHF, Real Federación Española de Balonmano e o da CBHb, que limita-se a traduzir o manual da IHF.

Neste 4º artigo da série trataremos um pouco desta questão, analisando um pouco o que falam alguns autores importantes em nossa área, assim como tratarei de fazer sugestões práticas para nossas aulas.

OS TIPOS DE ATIVIDADES:

Segundo Santos (2003) nesta faixa etária de 06 a 10 anos “a criança já começa a realizar movimentos combinados aplicados a jogos. Contudo, as atividades de corrida são preponderantes neste período. A evolução de movimentos como agarrar e arremessar se tornam mais precisos” e “as atividades coletivas se tornam de grande interesse”.

Lendo atentamente o Manual de Mini-Balonmano da Real Federación Española de Balonmano (2002) vemos alguns tipos de exercícios sugeridos, e que quase todos eles enfocam a ludicidade e a psicomotricidade, porém, sem definir os conceitos.

A definição da palavra lúdico no Minidicionário LUFT (1991) define lúdico como “relativo a jogos, engraçado, jocoso”.

Vygotsky (1989) considera que brincando a criança é capaz de satisfazer as suas necessidades e estruturar-se à medida que ocorrem transformações em sua consciência.

Segundo Luckesi (2000) lúdico “são aquelas atividades que propiciam uma experiência de plenitude, em que nos envolvemos por inteiro, estando flexíveis e saudáveis”.

A formação lúdica possibilita ao educador conhecer-se como pessoa, saber de suas possibilidades, desbloquear resistências e ter uma visão clara sobre a importância do jogo e do brinquedo para a vida da criança, do jovem e do adulto (SANTOS, 2001).

Piaget (1998) diz que “a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança, sendo, por isso, indispensável à prática educativa”.

A capacidade de brincar possibilita às crianças um espaço para resolução dos problemas que a rodeiam. O ato de brincar é mais que a simples satisfação de desejos. O brincar é o fazer em si, um fazer que requer tempo e espaço próprios; um fazer que se constitui de experiências culturais, que é universal e próprio da saúde, porque facilita o crescimento, conduz aos relacionamentos grupais, podendo ser uma forma de comunicação consigo mesmo e com o meio que a rodeia. (WINNICOTT, 1975)

Já sobre psicomotricidade o site da Associação Portuguesa de Psicomotricidade definida como “o campo transdiciplinar que estuda e investiga as relações e as influências recíprocas e sistêmicas entre o psiquismo e a motricidade. Baseada numa visão holística do ser humano, a psicomotricidade encara de forma integrada as funções cognitivas, sócio-emocionais, simbólicas, psicolingüísticas e motoras, promovendo a capacidade de ser e agir num contexto psico-social.”

Já o site da Sociedade Brasileira de Psicomotricidade define como “a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo”.

Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. É sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o afeto. “Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização’”.

Na literatura, existem vários autores que apresentam diferentes tipos de jogos de acordo com a faixa etária, sempre relacionando o jogo com as características do desenvolvimento da criança.

Piaget (1971), pesquisando sobre o desenvolvimento das inteligências, verificou que, baseado na evolução das estruturas mentais, existem alguns tipos de jogos infantis, que vão se sucedendo e se sobrepondo, e sobre os jogos de regras ele diz que “aparece quando a criança tem de 7 a 11 anos aproximadamente, apesar de começar a surgir por volta dos 4 anos. A criança identifica algumas regras impostas pelos adultos. Aos sete, as regras são inflexíveis e sagradas, depois disso passam a ser produtos de acordos, e modificadas por uma questão de consenso. Existem alguns critérios para um jogo ser considerado de regras: objetivo claro ao ser alcançado, existência de regras, intenções opostas e possibilidades de se levantarem estratégias”.

“As crianças, nas suas relações com os iguais, descobrem que é necessária à reciprocidade, para agir conforme as regras, levando em conta que as regras são efetivas, se as pessoas concordarem em aceitá-las. Sua procedência não mais deriva da autoridade externa, mas resultam de convenções acordadas entre indivíduos e, portanto, podem ser modificadas (PIAGET, 1998)”.

Outro tipo de jogo é a defendida por Amaral (2007), os jogos cooperativos, e os define como “atividades que requerem um trabalho em equipe para alcançarem metas mutuamente aceitáveis. Não é necessário que os indivíduos que cooperam tenham os mesmos objetivos, porém seu alcance deve proporcionar satisfação para todos os integrantes do grupo”.

Para Orlick (1989), os jogos cooperativos, são divididos em diferentes categorias, pois achava necessário adequar os jogos aos grupos que jogam:

  • Jogos cooperativos sem perdedores: todos os participantes formam um único grande time. São jogos plenamente cooperativos;
  • Jogos de resultado coletivo: permitem a existência de duas ou mais equipes, havendo um forte traço de cooperação dentro de cada equipe e entre as equipes, também. O principal objetivo é realizar metas comuns;
  • Jogos de inversão: enfatizam a noção de interdependência, por meio da aproximação e troca de jogadores que começam em times diferentes. Estes se dividem em: rodízio, inversão do goleador, inversão do placar e inversão total.
  • Jogos semicooperativos: estes jogos favorecem o aumento da cooperação no grupo e oferecem as mesmas oportunidades de jogar para todas as pessoas do time. Os times continuam jogando um contra o outro, mas a importância do resultado é diminuída, a ênfase passa a ser o envolvimento ativo no jogo e a diversão (todos jogam, todos tocam, todos passam, todas as posições e outras maneiras).

    Santos (2003) afirma que “o professor deve lembrar sempre que a prática do mini-handebol tem que responder às seguintes exigências:

  • Atuar pedagogicamente visando ao desenvolvimento global de todas as crianças;
  • Ser lúdico;
  • Ser prezeroso;
  • Facilitar as aprendizagens nos domínios motor, cognitivos e sócio-afetivos.
  • Estimular o trabalho em grupo.”

    CONCLUSÃO:

    Grande parte dos autores citados nos faz, através de analogias, definirem o jogo de mini-handebol como sendo lúdico, psicomotor, jogo de regras, lúdico, competitivo ou cooperativo e dentro destas definições devemos planejar nossas aulas para que as atividades aplicadas sejam sempre coerentes à proposta e filosofia da atividade.

    As atividades especificas dentro de tipo de jogos proposto no mini-handebol devem ser planejados de acordo com a realidade de cada professor, de cada turma, local de trabalho, etc, pois adequando nossos recursos gerais disponíveis a filosofia do mini-handebol congratulamos de diferentes formas o mesmo objetivo.

    PRÓXIMO ARTIGO

    Em nosso próximo artigo trataremos de ilustrar de maneira simples e objetiva pontos referentes ao desenvolvimento motor de crianças de 06 a 10 anos, assim como a carga, os tipos de atividades especificas e particularidades das intervenções que devem ser feitas pelos professores durante toda a trajetória dos educandos nos quatro anos do mini-handebol.

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