A mesma naturalidade e objetividade aplicadas para dimensionar o espaço do handebol em sua rotina diária de atividades é encontrada nos ginásios em que atua. Voluntarioso, comprometido com os ideais de sua equipe e disposto a contribuir para que seus companheiros alcancem o máximo rendimento, o pivô da Metodista/São Bernardo/Besni e da seleção brasileira articula de maneira eficiente seu potencial físico privilegiado e a determinação dos verdadeiros vencedores.
Ao mesmo tempo em que o jogo começa e a disputa com os adversários pela ocupação e pela abertura de espaços em regiões estratégicas da quadra se acentua, a astúcia e o talento individual de Danilo Paulino da Silva ganham visibilidade. Ou seria fácil acompanhar a movimentação da bola em meio aos intensos “choques” pelo melhor posicionamento, distinguir as orientações do goleiro, do técnico ou do armador central dos incentivos entoados pela torcida, principalmente em partidas decisivas? E ainda se deparar com talentosos jogadores e capacitados goleiros dispostos a anotar ou evitar os gols?
Em entrevista ao PortaldoHandebol.com, Danilo (conhecido no handebol como Pré) projetou a participação de sua equipe na Liga Nacional, recordou o início de sua carreira e sua mais recente conquista com a seleção brasileira. Além disso, o jogador da Metodista/São Bernardo/Besni detalhou os procedimentos de sua cirurgia, do início do tratamento e a expectativa de retorno às quadras, bem antes das primeiras projeções. Pré ainda idealizou uma fortíssima equipe e comentou seu encontro com um grande ídolo do esporte brasileiro.
Portal do Handebol: A gente pode dizer que 2007 é um dos melhores anos de sua carreira, pelos títulos que você conquistou com a Metodista e com a seleção brasileira no primeiro semestre?
Pré: É um ano de muitos títulos até agora, porque todos os campeonatos que eu entrei, eu ganhei, menos o Mundial de Clubes. Então, para mim está sendo um ano muito positivo, apesar de eu ter passado por essa cirurgia, que é uma coisa simples. Mas pretendo estar de volta em um mês. É um ano que está sendo bem feliz para mim.
P: A gravidade de sua lesão era menor do que os primeiros diagnósticos estabeleceram?
Pré: É, a expectativa [de não atuar] era de três a seis meses. Mas na hora que abriu lá [o joelho esquerdo] as coisas estavam melhores do que a gente pensava. E aí, só fizemos uma raspagem na membrana. Foi feita uma limpeza no joelho e em um mês e meio estou de volta.
P: E como está o tratamento agora?
Pré: Eu vou começar a andar segunda-feira [3 de setembro]. Na segunda eu já começo a fazer fisioterapia e exercício, piscina, para poder voltar a jogar.
P: É difícil ficar de fora das partidas e só poder ajudar a equipe com incentivos?
Pré: É meio complicado, a gente ficar fora. Às vezes converso com um, com outro, mas a gente fica um pouco ansioso, com vontade de estar lá dentro ajudando o time.
P: Voltando ao mês de julho, qual o sentimento pela conquista do título Pan-Americano, jogando em casa e com o apoio da torcida?
Pré: Sem dúvida, foi uma realização profissional. Um campeonato Pan-Americano disputado no Brasil, com apoio da torcida ainda. Foi muito emocionante, ainda tivemos um resultado muito bom, fomos medalha de ouro. Então realmente foi uma realização profissional que acabou acontecendo.
P: O que foi mais difícil, superar a estréia e os primeiros jogos, ou as partidas decisivas contra Cuba, Uruguai e Argentina?
Pré: Acho que a gente passou por muitas dificuldades. A estréia foi uma dificuldade, mas os momentos finais foram piores.
P: E a briga na final contra a Argentina, você sabe direito o que aconteceu?
Pré: Foi provocação, a Argentina não gostou de perder o jogo, entrou em provocação. Teve jogador do Brasil que provocou os argentinos também. E acabou acontecendo uma coisa lamentável para o handebol.
P: Qual a contribuição [do técnico] Jordi Ribeira para o título do Pan?
Pré: O Jordi é um cara estudioso no handebol, é um técnico muito bom. E eu acho que ele tem mérito total neste título, pelo trabalho que ele fez com os atletas, a preparação que fez com a seleção brasileira.
P: Teve um gostinho especial por ganhar da Argentina na final [do Pan]?
Pré: Ah sim, ganhar da Argentina é sempre bom…
P… ainda mais depois da inesperada derrota no Mundial [da Alemanha em janeiro de 2007]?
Pré: Sim, foi meio que uma revanche, mas era um campeonato importante, dentro de casa. A gente sabia das nossas responsabilidades, sabíamos que a gente precisava da vitória.
P: Como você acha que está o atual momento da seleção? O Brasil está em boas condições, vai manter os intercâmbios para fazer uma boa campanha na Olimpíada de Pequim?
Pré: Agora eu não sei o que vai acontecer porque devido ao Pan-Americano no Rio de Janeiro, a gente teve uma preparação muito boa. Então, daqui para frente eu não estou sabendo mais da seleção, eu não sei quem vai assumir o cargo de técnico, não sei quais são as competições em vista.
P: Se você pudesse opinar, como seria pelo menos o perfil do novo técnico?
Pré: Eu acho que teria que ser um cara que já conheça a linha de trabalho que a gente deu início, para que não comece um trabalho totalmente novo para as Olimpíadas. Que já entre em um trabalho com uma estrutura já formada.
P: Tirando a contusão, como você avalia seu atual momento na carreira?
Pré: É um momento de muitas alegrias, é um grande momento, onde a gente é reconhecido pela mídia, pelas pessoas. Então, eu acho que é um momento de ascensão na carreira.
P: E em quadra, você sente que está num momento bom, bem condicionado?
Pré: Sim, sinto que estou em um momento muito bom, agora me recuperando, me cuidando.
P: Você foi um dos jogadores mais emocionados na conquista do título [do Campeonato] Paulista de 2007. Foi por você ter construído toda a sua carreira na Metodista e pelas dificuldades enfrentadas durante a competição?
Pré: Eu acho que todas as dificuldades que a gente passou, as lesões que a gente passa, tudo que vem passando, tem uma hora que a gente fica emocionado pelo que acontece na vida da gente.
P: Um dos seus grandes parceiros, até pela trajetória semelhante [começo na mesma época] na Metodista, o [Felipe] Borges realizou um objetivo de atuar no handebol europeu. Você projeta o mesmo para a sua carreira em curto ou médio prazo?
Pré: A gente está estudando algumas coisas aí e pensa em um dia jogar na Europa, mas tem que ser uma proposta boa. Quem sabe um dia eu vá.
P: Teu irmão, [Dario Paulino da Silva] começou a atuar no adulto e você já teve a oportunidade de atuar ao lado dele. Como é jogar em família?
Pré: É legal para caramba. Mais uma força, mais um incentivo para a gente, estar do lado de um familiar, de um irmão nosso. Então é muito gostoso ver ele crescendo e estar junto com a gente dentro de quadra.
Antes de prosseguir, nada melhor que passar a bola para o irmão e companheiro de Metodista, Dario Paulino da Silva poder retribuir. Sobre o irmão mais velho o ponta esquerda destacou:
“A gente começou junto, primeiramente em São Caetano. Em 1999, a gente veio para a Metodista. Eu estou sempre seguindo os passos dele. Ele além de um grande atleta é meu irmão, é meu espelho, é um cara que sempre me ajuda dentro e fora de quadra, porque ele gosta de conversar. E tanto em seleção brasileira quanto na Metodista ele está sempre me ajudando, eu ajudando ele no que a gente pode. E é isso aí, é bom ter alguém da família dentro do esporte. Que com isso a gente cresce mais rápido, cresce de forma mais inteligente, mais tranqüilo. Eu queria deixar um grande abraço para ele e dizer que ele logo-logo vai voltar às quadras e que eu admiro muito ele. E que estamos precisando dele na Metodista, para ele retornar logo, cuidar direitinho do joelho dele que ele vai ajudar bastante”.
“Sempre seguindo os passos dele. Ele deixando aí os caminhos corretos para a gente, me ajudando dentro e fora da quadra. Ele é uma grande pessoa, um grande irmão e um grande atleta”.
P: Esse clima de descontração entre as categorias de base e o adulto é o que ajuda a unir o elenco e superar as dificuldades?
Pré: O grupo está muito unido, o grupo está de parabéns, nosso grupo está muito forte fora da quadra e isso reflete dentro da quadra.
P: Esse seria um dos segredos para a Metodista conseguir contornar todos os problemas?
Pré: Acho que esse ano, o que nosso time tem de melhor é o grupo.
P: O primeiro foco na Liga é acertar o time e se classificar entre os quatro para na fase final…
Pré: … a gente se preocupa em classificar e aí a hora que chegar nos playoffs começa outra competição.
P: Voltando ao início de sua carreira, você sentiu muito ao passar a jogar de pivô, já que nas categorias de base sua posição era a meia?
Pré: A gente foi se adaptando, devido a algumas situações, devido a necessidades dentro do time. Mas eu gosto muito de jogar de pivô, me dei muito bem, me adaptei bem nessa posição. Então, estou feliz com isso.
P: Você acha que não só a Metodista, mas os outros times e a seleção brasileira estão bem servidos de pivôs atualmente? O Jardel, o Alê de Londrina, o Menta, você…
Pré: …eu acho que os pivôs do Brasil cresceram bastante. O Jordi ajudou muito para isso. Eu acredito que o Brasil está bem servido de pivôs.
P: Qual a importância dos seus técnicos na sua adaptação nessa mudança de posição?
Pré: Bastante treino específico, bastante atenção, muita dedicação deles e da minha parte, acho que fizeram isso.
P: Todos eles, o Cubano [Daniel Suarez], o Alberto [Rigolo], o SB [José Ronaldo Nascimento] e o Macarrão [Ivan Bruno Maziero]?
Pré: Todos os que passaram por mim…
P: … todos com contribuições importantes para sua evolução?
Pré: Sim, todos eles me ajudaram. Eu sou grato a todos eles.
P: Como foram suas primeiras partidas pelo adulto? Entrar e ver atletas que um tempo antes eram suas referências e tinham sido seus treinadores nas categorias de base?
Pré: É foi um momento marcante na minha carreira. Um momento emocionante, atuar ao lado de grandes ídolos no handebol. Então, para mim foi um sonho realizado naquele momento.
P: Você falou em ídolos. Eles seriam seus maiores ídolos aqui no Brasil? Teriam outros?
Pré: Macarrão, Macarrão é o meu maior ídolo.
P: E do handebol em geral?
Pré: Eu gosto bastante do pivô da Alemanha, que é o [Christian] Schwarzer, gosto bastante do Rolando [Uríos]. Acho que é neles que eu procuro olhar um pouco. E o da Dinamarca também o [Michael] Knudsen.
P: Brincando um pouquinho… Você é um técnico e tem que escalar um time. Vale colocar você. Qual seria essa formação?
Pré: Seleção brasileira?
P: Ou mundial, você define. São sete para entrar em quadra.
Pré: Sete para jogar na quadra? Eu de pivô, no gol eu escalava o [David] Barrufet, central o [Ivano] Balic, ponta esquerda o [Felipe] Borges. Na meia esquerda o Karol [Bielecki] da Polônia, meia direita o russo Alexey Peskov e ponta direita o [Florian] Kehrmann.
P: Que objetivos, que sonhos você já conseguiu realizar com o handebol?
Pré: Disputar um Pan-Americano e um Campeonato Mundial.
P: Você falou em Pan, você encontrou na Vila Pan-Americana algum atleta de outros esportes que você queria conhecer ou já admirava?
Pré: Eu encontrei o Falcão do futsal, sou são-paulino, e então, na hora que eu encontrei o Falcão eu fiquei bem contente.
P: Você chegou a conversar com ele?
Pré: Eu conversei um pouquinho com ele, coisa rápida.
P: Que objetivos você ainda pretende realizar no handebol?
Pré: Jogar uma olimpíada, eu pretendo participar de uma olimpíada, esse é o meu objetivo principal agora.
P: Qual foi o seu primeiro contato com o handebol?
Pré: Foi na escola, foi no handebol escolar.
P: Em que escola, em que cidade?
Pré: Colégio Padrão em Santo André.
P: Quem foram seus técnicos, como foi?
Pré: Foi minha professora de Educação Física, chama Gisleine e depois eu passei para São Caetano com a Renata e depois já comecei na Metodista com o Macarrão.
P: E o começo foi em campeonatos escolares?
Pré: Eu comecei nos Jogos Escolares, depois [Campeonato] paulista e aí vai.
P: Você tinha quantos anos?
Pré: 13 anos
P: E você se interessava por algum outro esporte, ou era o handebol mesmo?
Pré: Eu gostava de futebol, mas o handebol depois me chamou muito a atenção.
P: O que significa o handebol para você?
Pré: É a minha profissão, o meu trabalho, uma das prioridades da minha vida.
P: No Baetão, a torcida é um dos diferenciais em favor da Metodista. Mande um recado para os torcedores.
Pré: Obrigado pela força que vocês dão para os atletas, acho que vocês não sabem da importância que vocês têm durante os jogos. Queria agradecer muito a todos.
P: Quem é o Pré?
Pré: O Pré é (risos) aroeira, viu? Acho que é isso, pau de aroeira.
P: Agora um recado para os visitantes do PortaldoHandebol.com.
Pré: Um abraço a todos os visitantes que gostam do handebol e que acompanham o handebol, eu deixo um abraço aí e um agradecimento.
Entrevista concedida a GUILHERME CAMPOS no ginásio do Baetão no dia 1º de setembro de 2007, após a rodada dupla válida pela primeira fase da edição de 2007 da Liga Nacional Masculina de Handebol entre Itapevi x Grande Rio e Metodista/São Bernardo/Besni x FME/Campos/Wizard
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1 comentário
luisa disse:
25 de outubro de 2009 em 23:50 (UTC -3)
oba