Treinador da seleção masculina de handebol revela a existência de três planos para o evento no início do ano que vem

O caminho a ser percorrido pelo handebol masculino no começo de 2012 será definido pela direção da Confederação Brasileira. A confirmação foi feita pelo técnico da seleção adulta Javier Garcia Cuesta. Em evento em São Paulo, o espanhol apresentou o leque projetado pela Comissão Técnica levando em conta o nível de dificuldade da competição e as pretensões dos dirigentes brasileiros.
Um dos cenários possíveis é deixar de lado o calendário nacional e intensificar a preparação desde os primeiros dias do novo Ano. Garcia Cuesta também indicou a possibilidade de cumprir o cronograma dos clubes e realizar uma convocação poucos dias antes do início do pré-olímpico internacional. Outra alternativa seria abrir mão da disputa em função da pequena possibilidade de carimbar o passaporte para Londres.
O espanhol deixou claro que prefere a preparação mais intensa possível, independente das dificuldades que devem ser encontradas durante as partidas. Mesmo assim, o treinador garante compreender uma política de pés no chão com o direcionamento dos recursos para o próximo ciclo olímpico.
Também presente no segundo encontro do Primeiro Fórum de Debates para o Desenvolvimento do Handebol, promovido pelo Curso de Educação Física da FMU, o presidente da Federação Angolana de Handebol se colocou na posição dos cartolas brasileiros e opinou sobre o tema. Pedro Godinho ressaltou que se tivesse a palavra final não levaria a equipe. “Se tivesse certeza que a equipe teria condições de chegar ao pódio olímpico não mediria esforços para conferir as melhores condições possíveis. Contudo, a realidade do handebol em Angola me faz focar os investimentos em projetos para o Mundial seguinte e o Campeonato do Continente”.
Durante o painel intitulado preparação das seleções nacionais, Javier Garcia Cuesta detalhou o programa de treinamentos aplicado desde o primeiro trabalho realizado com os brasileiros. O treinador destacou que luta para adequar o calendário nacional às atividades que antecedem os principais torneios internacionais.
Conhecido por trabalhos de integração de filosofia de jogo entre categorias de base e a seleção adulta de alguns países, Cuesta traçou um panorama dos principais atletas do país. “O Brasil tem um dos melhores jogos do mundo entre os nove e os sete metros, em especial na troca de passes entre os armadores e à assistência aos pivôs, mas peca nos arremessos, na tomada de decisão em momentos cruciais dos jogos e na lentidão para voltar para a defesa”.
Para ele, esta realidade pode ser minimizada com treinamentos específicos ou a transferência para grandes centros da Europa em equipes que disputam jogos de alto nível. Deste modo o atleta poderia somar minutos decisivos em situações de maior pressão e com a necessidade de se manter concentrado plenamente por 60 minutos ou mais.
“Não existe milagre. Quando se trabalha bem, as coisas acontecem bem. O jogador precisa ter talento, mas precisa trabalhar este talento, tem que treinar e passar por momentos críticos”, sintetizou Cuesta.
Polêmica rapidamente desfeita
O técnico da seleção brasileira reiterou o posicionamento do presidente da Confederação Brasileira de Handebol. Na abertura do Fórum de Debates do Handebol nacional, Manoel Luiz Oliveira classificou a derrota para a Argentina no Pan de Guadalajara como uma grande decepção diante das condições de treinamento oferecidas.
Javier Garcia Cuesta ressaltou que a Comissão Técnica teve condições acima das necessárias e realizou o melhor trabalho possível, mas falhou na partida decisiva depois de bons jogos nos dias anteriores. “Tivemos algumas lesões durante os ciclos de treinos e muitas exclusões por dois minutos na partida contra a Argentina. Estávamos na frente, mas o time começou a se precipitar no final do primeiro tempo e quando ficou atrás no marcador tentou resolver tudo sozinho, deixando de lado o plano tático.
Exemplo que fala a mesma língua
A exposição realizada durante o sábado também abriu espaço para o presidente da Federação Angolana de Handebol. Pedro Godinho detalhou a carência de recursos à disposição das atividades esportivas e a recente história de independência do país. Diante de verbas restritas, o governo africano direciona o dinheiro a modalidades que conquistam os principais torneios do continente.
Mesmo assim, o início das crianças acontece no ambiente escolar e as transferências para os clubes são efetivadas nas categorias juvenil e júnior. Neste momento os jovens valores atuam em um sistema de jogo pré-definido pelo técnico da seleção adulta. A medida facilita o desenvolvimento tático coletivo quando as atletas chegam à seleção principal.
Pedro Godinho explicou que as atletas são semi-profissionais e sobrevivem com o salário obtido em um segundo emprego. Além disso, os clubes nacionais só liberam as atletas ao time nacional duas semanas antes das competições e por 30 dias somados durante o ano. Neste intervalo de tempo o salário é desembolsado pela Federação Angolana.
“Outra dificuldade é a falta de jogos em alto nível e procuro preencher esta lacuna de um modo um tanto questionável, mas eficiente que é o pagamento de bônus financeiros por metas cumpridas”, revelou Godinho, que se mostrou interessado em promover Fórum de debate semelhante entre os angolanos em um futuro próximo.
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