dez
24

Brasil poderia ter alcançado as semifinais do Mundial de handebol

Presidente da Confederação Brasileira de Handebol ainda lamenta derrota para a Espanha nos instantes finais de partida

Uma das grandes decepções ao lado do vice-campeonato no Pan-Americano masculino em Guadalajara. A primeira frustração mencionada por Manoel Luiz Oliveira foi sentida no ginásio do Ibirapuera, na última quarta-feira. Depois de seis vitórias e 100% de aproveitamento, as comandadas de Morten Soubak perderam pela diferença mínima para a Espanha pelas quartas de final do Mundial do Brasil.

O dirigente sentenciou que o revés poderia ter sido evitado “se a Comissão Técnica tivesse ousado e variado o sistema defensivo diante das espanholas. A mesma tática aplicada contra a França teria dado retorno e o Brasil iria ganhar por quatro ou cinco gols de vantagem”.

Com esta análise, Manoel Luiz Oliveira iniciou o segundo encontro do Primeiro Fórum de Debates para o Desenvolvimento do Handebol, promovido pelo Curso de Educação Física da FMU. O presidente da Confederação Brasileira também explicou que a seleção masculina se preparou durante alguns meses para vencer um único jogo e não conseguiu. No mesmo evento, algumas horas depois, o técnico da seleção masculina Javier Gracia Cuesta assumiu a responsabilidade e reconheceu o fracasso, mas demonstrou tranqüilidade pelo trabalho desempenhado.

Vale lembrar que a seleção masculina ainda tem chances de disputar a Olimpíada, mas a decisão ficará a critério da Confederação Brasileira de handebol e dependerá, também, dos planos do Comitê Olímpico Brasileiro.

O tropeço da seleção feminina não invalida a campanha de sete vitórias e uma derrota no Mundial. Apesar da experiência da equipe e dos jogos internacionais decisivos e de alto nível disputados pelas atletas com a camisa dos principais clubes da Europa o impacto de uma partida de quartas de final em território brasileiro não pode ser solenemente deixado de lado.

 

dez
23

A realidade do handebol sob a concepção dos profissionais de imprensa


Para angariar espaço nos veículos de comunicação, o esporte precisa se tornar atrativo e atender especificidades das empresas

Pode parecer assustador, mas moradores das sedes do Mundial feminino de handebol desconhecem o motivo da chegada de estrangeiros nestas cidades repentinamente. Funcionários de estabelecimentos comerciais no entorno do ginásio do Ibirapuera questionam a invasão de visitantes que falam uma língua estranha e se surpreendem quando informados da disputa do torneio internacional a poucos metros dali. Identificar atletas brasileiras ou a condição do país na competição se mostra ainda mais complicado.

A condição justificada pela pouca divulgação dos jogos e a ausência da transmissão por uma rede de televisão aberta expõem uma exigência comercial da Federação Internacional de Handebol, agravada por uma guerra entre emissoras pela aquisição de direitos exclusivos de exibição. Perder a disputa redunda em ignorar o evento angariado pelo concorrente.

A corrida pela supremacia ganha contornos menores quando comparada à monocultura do futebol e a proliferação de modalidades interessadas em minutos de exposição. A concorrência discrepante com o primo rico exige de qualquer modalidade adequação às grades televisivas e aos pedidos dos meios eletrônicos.

“O exemplo mais bem definido neste cenário é o do vôlei brasileiro. Diferente do tênis, que reluta em mudar, a modalidade alterou a contagem dos pontos, instituiu paradas técnicas ao longo dos sets e, com resultados expressivos, caiu nas graças da TV”, assinala o narrador do canal Bandsports Carlos Fernando.

Destacado pelo portal Terra para a cobertura do Mundial feminino de handebol, o repórter Felipe Held questionou o argumento defendido por muitos dirigentes esportivos de que o espaço na mídia depende de um resultado expressivo em um torneio internacional de relevância.

No segundo encontro do Primeiro Fórum de debate para o desenvolvimento do handebol, promovido pelo Curso de Educação Física da FMU, o jornalista indicou que os responsáveis pela modalidade podem ir além ao abastecer os profissionais e as redações de conteúdos complementares atualizados sobre o esporte. “Ao disponibilizar informações relevantes e estatísticas variadas o esporte pode chamar a atenção, ganhar espaço e com isso criar referências para os ídolos aparecerem”.

Felipe citou exemplos pessoais como a admiração pelo tênis a partir das vitórias e dos títulos de Gustavo Kuerten e a figura de Ayrton Senna a partir de notícias nos jornais e de transmissões na televisão.

Outro profissional da imprensa lembrou da audiência da final do handebol masculino no Pan-Americano de Santo Domingo em 2003. Fernando Nardini, da Record News, também ressaltou que “o handebol perdeu a oportunidade de ser transmitido em televisão aberta a poucos meses de uma olimpíada e, em um momento em que a modalidade alcança um resultado expressivo”.

 

dez
21

Thiagus Petrus jogará no Naturhouse da Espanha

Agora é oficial!

Thiagus Petrus (facebook), da seleção Brasileira, deixa o Esporte Clube Pinheiros para jogar no Naturhouse La Rioja até 2014.

A equipe está em 6º na Liga Asobal (Espanha) e conta com o brasileiro Ales Silva, também da Seleção Brasileira, conheça mais a equipe http://ciudad-logrono.larioja.com.

Sucesso THIAGUS!

 

dez
20

Brasil pode abrir mão da disputa do Pré-Olímpico Mundial

Treinador da seleção masculina de handebol revela a existência de três planos para o evento no início do ano que vem


O caminho a ser percorrido pelo handebol masculino no começo de 2012 será definido pela direção da Confederação Brasileira. A confirmação foi feita pelo técnico da seleção adulta Javier Garcia Cuesta. Em evento em São Paulo, o espanhol apresentou o leque projetado pela Comissão Técnica levando em conta o nível de dificuldade da competição e as pretensões dos dirigentes brasileiros.

Um dos cenários possíveis é deixar de lado o calendário nacional e intensificar a preparação desde os primeiros dias do novo Ano. Garcia Cuesta também indicou a possibilidade de cumprir o cronograma dos clubes e realizar uma convocação poucos dias antes do início do pré-olímpico internacional. Outra alternativa seria abrir mão da disputa em função da pequena possibilidade de carimbar o passaporte para Londres.

O espanhol deixou claro que prefere a preparação mais intensa possível, independente das dificuldades que devem ser encontradas durante as partidas. Mesmo assim, o treinador garante compreender uma política de pés no chão com o direcionamento dos recursos para o próximo ciclo olímpico.

Também presente no segundo encontro do Primeiro Fórum de Debates para o Desenvolvimento do Handebol, promovido pelo Curso de Educação Física da FMU, o presidente da Federação Angolana de Handebol se colocou na posição dos cartolas brasileiros e opinou sobre o tema. Pedro Godinho ressaltou que se tivesse a palavra final não levaria a equipe. “Se tivesse certeza que a equipe teria condições de chegar ao pódio olímpico não mediria esforços para conferir as melhores condições possíveis. Contudo, a realidade do handebol em Angola me faz focar os investimentos em projetos para o Mundial seguinte e o Campeonato do Continente”.

Durante o painel intitulado preparação das seleções nacionais, Javier Garcia Cuesta detalhou o programa de treinamentos aplicado desde o primeiro trabalho realizado com os brasileiros. O treinador destacou que luta para adequar o calendário nacional às atividades que antecedem os principais torneios internacionais.

Conhecido por trabalhos de integração de filosofia de jogo entre categorias de base e a seleção adulta de alguns países, Cuesta traçou um panorama dos principais atletas do país. “O Brasil tem um dos melhores jogos do mundo entre os nove e os sete metros, em especial na troca de passes entre os armadores e à assistência aos pivôs, mas peca nos arremessos, na tomada de decisão em momentos cruciais dos jogos e na lentidão para voltar para a defesa”.

Para ele, esta realidade pode ser minimizada com treinamentos específicos ou a transferência para grandes centros da Europa em equipes que disputam jogos de alto nível. Deste modo o atleta poderia somar minutos decisivos em situações de maior pressão e com a necessidade de se manter concentrado plenamente por 60 minutos ou mais.

“Não existe milagre. Quando se trabalha bem, as coisas acontecem bem. O jogador precisa ter talento, mas precisa trabalhar este talento, tem que treinar e passar por momentos críticos”, sintetizou Cuesta.

Polêmica rapidamente desfeita

O técnico da seleção brasileira reiterou o posicionamento do presidente da Confederação Brasileira de Handebol. Na abertura do Fórum de Debates do Handebol nacional, Manoel Luiz Oliveira classificou a derrota para a Argentina no Pan de Guadalajara como uma grande decepção diante das condições de treinamento oferecidas.

Javier Garcia Cuesta ressaltou que a Comissão Técnica teve condições acima das necessárias e realizou o melhor trabalho possível, mas falhou na partida decisiva depois de bons jogos nos dias anteriores. “Tivemos algumas lesões durante os ciclos de treinos e muitas exclusões por dois minutos na partida contra a Argentina. Estávamos na frente, mas o time começou a se precipitar no final do primeiro tempo e quando ficou atrás no marcador tentou resolver tudo sozinho, deixando de lado o plano tático.

Exemplo que fala a mesma língua

A exposição realizada durante o sábado também abriu espaço para o presidente da Federação Angolana de Handebol. Pedro Godinho detalhou a carência de recursos à disposição das atividades esportivas e a recente história de independência do país. Diante de verbas restritas, o governo africano direciona o dinheiro a modalidades que conquistam os principais torneios do continente.

Mesmo assim, o início das crianças acontece no ambiente escolar e as transferências para os clubes são efetivadas nas categorias juvenil e júnior. Neste momento os jovens valores atuam em um sistema de jogo pré-definido pelo técnico da seleção adulta. A medida facilita o desenvolvimento tático coletivo quando as atletas chegam à seleção principal.

Pedro Godinho explicou que as atletas são semi-profissionais e sobrevivem com o salário obtido em um segundo emprego. Além disso, os clubes nacionais só liberam as atletas ao time nacional duas semanas antes das competições e por 30 dias somados durante o ano. Neste intervalo de tempo o salário é desembolsado pela Federação Angolana.

“Outra dificuldade é a falta de jogos em alto nível e procuro preencher esta lacuna de um modo um tanto questionável, mas eficiente que é o pagamento de bônus financeiros por metas cumpridas”, revelou Godinho, que se mostrou interessado em promover Fórum de debate semelhante entre os angolanos em um futuro próximo.


dez
19

Noruega ratifica hegemonia no handebol feminino

Primeiro lugar no Mundial do Brasil unifica conquista dos principais campeonatos disputados pelas escandinavas

O handebol feminino se rendeu à solidez e à regularidade da Noruega na tarde deste domingo, em São Paulo. Mais uma vez regidas por uma numerosa torcida vinda da Europa, as escandinavas marcaram 32 a 24 levantaram a taça e determinaram o segundo vice campeonato mundial seguido da França. Nas últimas duas edições da competição as francesas caíram no grupo do Brasil na primeira fase e acabaram derrotadas depois do confronto. O feito coloca a Noruega na mesma condição alcançada pela França no handebol masculino. Ambos são campeões, ao mesmo tempo, da Olimpíada, do Mundial e do Campeonato Europeu.

Para ficar com a medalha de ouro, a Noruega teve que superar 20 minutos de jogo tenso e equilíbrio no marcador. A vantagem começou a ser construída depois de uma seqüência de exclusões das jogadoras da França. A superioridade numérica rendeu bolas recuperadas e gols em contra ataques para as norueguesas.

Gabriel Inamine/Photo&Grafia

Desfalcada da melhor armadora central da competição, as francesas recorreram a todo o elenco, chegaram a encurtar a distância, mas não conseguiram parar o ataque consistente da Noruega por jogadas seguidas. Sempre que estavam ameaçadas, as escandinavas conseguiram encaixar arremessos precisos de longa distância ou conceder espaço suficiente para as pontas fazerem gols. Não bastasse isso, as goleiras da Noruega também resolveram aparecer parando o ataque da França com a bola em jogo ou em dois tiros de sete metros seguidos.

“Nossas jogadoras estavam muito motivadas para vencer. Em nenhum momento passou pela cabeça da gente a possibilidade de perder”, destacou o treinador da Noruega. Thorir Hergeirsson explicou o processo de formação do grupo vencedor desde os primeiros meses deste ano. “De março a julho, fizemos amistosos só com jogadoras novas e perdemos muitos jogos, inclusive quatro vezes para a França. De julho até agora, fomos colocando as jogadoras mais experientes. O time que veio ao Brasil é uma mistura dessas duas equipes”.

O técnico da França demonstrou o descontentamento pelo resultado na partida decisiva e associou o revés ao time incompleto. “Estamos decepcionados. Hoje, foi uma derrota mais doída do que na final contra a Rússia, em 2009. Estávamos desfalcados e tínhamos possibilidade de vencer se estivéssemos completos”, lamentou Olivier Krumbholz ao se referir às ausências da armadora central Allison Pineau e à ponteira Mariama Signate que se lesionaram no decorrer da competição.

O último dia de jogos ainda teve a vitória da Croácia diante da seleção de Angola. Com os 32 a 29, as européias asseguraram a sétima posição. Na disputa pelo bronze, a algoz das brasileiras passou pela Dinamarca por 24 a 18 e assegurou o último lugar no pódio do Mundial. Na premiação das espanholas destaque para um velho conhecido do Brasil, o treinador Juan Oliver Coronado, que fazia parte da comissão técnica da única equipe a derrotar o Brasil na competição. Coronado treinou o Brasil no ciclo olímpico anterior e tinha até então a melhor campanha com o Brasil na história dos Mundiais.

A Federação Internacional de Handebol incluiu a aniversariante do dia na seleção do campeonato. Além da goleira brasileira Chana Masson, o time ideal apontado pelos especialistas consultados contou com as armadoras Allison Pineau da França, Line Jorgensen da Dinamarca e a croata Andrea Penezic. Pelas pontas, Carmen Martin da Espanha e Emilia Turei da Rússia. As campeãs contribuiram com uma atleta: a pivô Heidi Loke.

A classificação final do Mundial teve a Noruega em primeiro, França em segundo, Espanha em terceiro e Dinamarca em quatro. O Brasil foi o quinto colocado, seguido, na ordem, por Rússia, Croácia, Angola, Suécia e Montenegro. A lista dos quinze primeiros ainda contou, na seqüência, com Coréia do Sul, Islândia, Romênia, Japão e Holanda. Em décimo sexto ficou a Costa do Marfim, seguida por Alemanha, Tunísia e Cazaquistão em décimo nono. Uruguai, China, Cuba, Argentina e Austrália, nesta ordem, completaram a lista dos 24 participantes da competição. Vale destacar a ausência na competição de seleções européias como Hungria, Áustria e Macedônia.

dez
18

Soberano, Brasil derrota a Rússia e fica em quinto no Mundial

Brasileiras controlaram o jogo desde o início e abusaram da agressividade na defesa e do equilíbrio no ataque

A seleção feminina de handebol oficializou a melhor posição de uma equipe nacional em campeonatos mundiais na manhã deste domingo no ginásio do Ibirapuera. Jogando para um público pequeno pela importância da partida e pelo direito adquirido do país de sediar a olimpíada de 2016, as comandadas de Morten Soubak marcaram 36 a 20 e ficaram com a quinta colocação. A melhor campanha do Brasil nos Mundiais havia sido seis anos antes, com uma sétima posição na Rússia em 2005

Desde o apito inicial o Brasil deixou claro a proposta de jogo. Sem demonstrar qualquer tipo de pressão por um resultado positivo, as atletas conciliaram uma defesa forte e uma saída para contra ataque extremamente eficiente. A vantagem no marcador ainda contou com a tranqüilidade na troca de passes no ataque posicionado e os arremessos de média e longa distância calibrados de Duda Amorim.

Ao invés de receber presentes, a aniversariante do dia garantiu defesas e assistências para as ponteiras brasileiras. Aos 33 anos Chana parecia um paredão toda vez que as russas apareciam frente a frente com ela. O parabéns das arquibancadas e do banco de reservas vinha a cada comemoração por mais uma defesa. E foram muitas.

Cinara Piccolo/Photo&Grafia

 

Quando Morten resolveu utilizar o banco de reservas o ritmo ameaçou cair, mas o Brasil tinha Chana e a incansável Deonise. A camisa 81 pouco saiu de quadra na primeira etapa. Além do aproveitamento de 100% nos arremessos, a atleta deixou Alexandra e Jéssica com muito espaço para fazer os gols.

A pedra no tênis da seleção no primeiro tempo foram os tiros de sete metros. Três erros em três tentativas. Até que Alexandra pediu a bola na quarta oportunidade recebeu um incentivo de Deonise e marcou. Alexandra quebrou o encanto e manteve a mão calibrada nos tiros livres na segunda metade do jogo. Nos trinta minutos finais o Brasil ampliou o volume de já intensidade em quadra. Chana continuou defendendo quase tudo. A torcida se rendeu à bela exibição e gritou o nome da camisa 1.

A Rússia contribuiu com o alargamento da vantagem ao cometer erros provocados pela forte marcação das brasileiras. Sem entender os gritos de gol… gol…. gol… vindos da arquibancada as russas compreendiam o momento ao final dos ataques. Nem mesmo as mudanças realizadas pelo treinador alteraram o panorama da partida.

A dez minutos do final e com frente de 29 a 15, as brasileiras controlaram o tempo, deixaram o cronômetro correr e vibraram a cada lance efetivo do sistema de marcação ou do ataque. Ainda teve tempo para a saída de Chana ovacionada pelas companheiras e aplaudida pela torcida. Mal sabia ela que o prêmio de melhor já tinha sido definido e a canção de parabéns seria acompanhada de uma brincadeira. Todas as atletas foram para o chão simulando o peixinho isolado da camisa 1 ao comemorar o título Pan Americano. Com os olhos marejados e um buquê de flores nas mãos a aniversariante agradeceu o carinho, sorriu para fotos e não parou de receber abraços. Voltando ao fim de jogo, Morten também teve tempo de conceder mais minutos em quadra às brasileiras mais jovens e vibrar com as defesas de Bárbara.

A se lamentar, apenas o tropeço nos minutos finais contra a Espanha e a possibilidade de chegado em uma classificação final ainda melhor no campeonato no Brasil. Problema que pode ser reparado em oito meses, na Olimpíada de Londres.

 

dez
17

Brasil volta a vencer e garante a melhor campanha na história dos Mundiais

Seleção deixa de lado frustração com derrota nas quartas de final e se credencia para disputar a quinta posição

Em sessenta minutos, a seleção feminina de handebol superou o primeiro e único revés no Mundial do Brasil e registrou a melhor participação na história da competição. Pior para a Croácia que até começou melhor e chegou a abrir vantagem na primeira etapa, mas acabou derrotada pela diferença mínima: 32 a 31. Com o novo resultado positivo, as comandadas de Morten Soubak abrem a rodada final do Mundial de handebol no próximo domingo no ginásio do Ibirapuera. As brasileiras duelam contra a Rússia a partir das nove da manhã de olho na quinta posição.

Depois do apito final, Morten Soubak comemorou as respostas da equipe nas últimas semanas e atribuiu o poder de recuperação à força mental proporcionada pelas atividades realizadas pela psicóloga. “Estamos muito felizes com o jogo de hoje. O sonho da medalha escapou das nossas mãos em 15 segundos na derrota para a Espanha, mas a Alessandra [psicóloga] fez um grande trabalho de recuperação e levantou as meninas. Mostramos que conseguimos nos superar. Estão todas de parabéns”.

Com gols decisivos, Francine contribuiu para alterar o ritmo de jogo do Brasil. A armadora exaltou a capacidade do plantel à disposição do técnico dinamarquês e o sentimento que move o grupo desde o primeiro trabalho realizado. “Nós, que não começamos jogando, estamos sempre prontas para entrar. O grupo é tão unido que torcemos para que ninguém precise entrar tão rápido. E elas [as titulares] também nos dão força quando vamos para o jogo”.

Quem também ajudou a parar o ataque croata na segunda metade de jogo foi a goleira Chana Masson. A atleta, que foi eleita destaque do handebol em 2011 pelo Comitê Olímpico Brasileiro, avaliou o que as sete vitórias em oito partidas disputadas podem representar em um futuro próximo. “Goleira está aí para isso, para fazer a diferença. Mostramos que temos muita raça e determinação e que queremos, e podemos, chegar muito longe”.

Independente do resultado do domingo, o Brasil supera a sétima posição alcançada no Mundial da Rússia, em 2005. A campanha, sob o comando do espanhol Juan Oliver Coronado, era a melhor já registrada por uma equipe brasileira adulta na história dos campeonatos mundiais.

Com o resultado positivo, o Brasil credenciou a República Dominicana, medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, na disputa da seletiva mundial para os Jogos Olímpicos de Londres. A qualificatória está marcada entre 25 e 27 de maio do ano que vem e será disputada em território europeu.

Outros resultados

Ainda pelo Mundial do Brasil, a Rússia passou pela Angola por 41 a 31. A seleção africana faz a segunda partida do domingo contra a Croácia em busca da sétima posição.

Pelas semifinais, a França confirmou o favoritismo diante da Dinamarca. Mesmo com atletas lesionadas, as francesas apostaram em uma defesa forte para marcar 28 a 23 e carimbar o passaporte para mais uma decisão de campeonato Mundial.

O oponente da França é a Noruega, que na partida de fundo, contou com o apoio de uma numerosa e barulhenta legião de escandinavos que tomou conta de parte da arquibancada. Reforçado por brasileiros ainda ressentidos pela derrota para a Espanha, a torcida da Noruega cantou, fez ola e comemorou os 30 a 22. O placar foi impulsionado por uma atuação consistente da defesa nórdica e ataques pacientes da equipe mesmo em situação de inferioridade numérica. As espanholas chegaram a esboçar uma reação e se aproximar de um empate no primeiro tempo, mas pareciam sem forças e desgastadas depois do embate contra o Brasil pelas quartas de final na última quarta-feira.

 

dez
16

Fórum de Debate – Desenvolvimento do Handebol Brasileiro

PROFISSIONALIZAR PARA CRESCER
Sábado agora: 17 de dezembro!

Aproveitando a realização do Mundial de Handebol Fem em SP, temos por objetivo Reunir Técnico(a)s, Dirigentes e lideranças do Handebol do Brasil e Mundiais, para debater, fortalecer e endereçar Propostas de Desenvolvimento para a Modalidade.

Inscrições: forum.handebolbrasil@gmail.com

LOCAL: Uni FMU – Auditório Ulysses Guimarães – Prédio 1 Av. Liberdade 899 – São Paulo – SP (ao lado do metrô!)

Programação DIA 17/dez (sábado):
- 08:00 às 09:00 hs – Credenciamento.
- 09:00 às 09:30 hs – Abertura / Formato do Fórum (4 convidados/Moderador).
- 09:30 às 10:45 hs – 1º Painel – Recursos Financeiros para Projetos.
- 11:00 às 12:15 hs – 2º Painel – Beach Handball (Handebol de Areia).
- 14:00 às 15:15 hs – 3º Painel – Preparação de Seleções Nacionais.
- 15:30 às 16:45 hs – 4º Painel – Estágio do Handebol Feminino.
- 17:00 às 18:15 hs – 5º Painel – Handebol na Mídia.

dez
15

Motivo de orgulho

Em jogo equilibrado, Brasil luta até o fim, mas acaba superado pelas espanholas pela diferença mínima

 

O sonho do título do Mundial feminino de handebol escapou por entre os dedos das brasileiras. Contando com o incentivo de quase cinco mil torcedores, as comandadas de Morten Soubak dependiam de uma vitória para chegar a uma inédita semifinal. Mas, pecaram em detalhes e receberam um doloroso castigo da seleção da Espanha.
A sentença presenciada no Ginásio do Ibirapuera: um revés de 27 a 26, o final da campanha invicta e a possibilidade de ficar no máximo com a quinta posição. Honrosa pelo histórico da modalidade em competições internacionais e pelas condições distantes da ideais verificadas em quadras por todo o Brasil. Frustrante pela trajetória na edição disputada neste ano, com direito a seis vitórias nas seis partidas disputadas até então.

Ricardo Bufolin/Divulgação

O treinador da seleção brasileira reconheceu o esforço de suas atletas e sintetizou os 60 minutos de jogo. “Entramos muito ansiosos. Mas no primeiro tempo o ataque foi muito bem e no segundo a defesa estava forte. Foi por um detalhe que não conseguimos vencer. Faltou sorte. A sorte que tivemos na partida contra a França não esteve com a gente hoje”.

O prognóstico de Morten Soubak foi repetido pela armadora Deonise. Para ela, embates decisivos também são influenciados por fatores adicionais. “Precisávamos estar muito concentradas. Jogos assim são decididos em detalhes, mas eu não sei dizer quais faltaram. Terá de ser um olhar do Morten.”
Aborrecida com a eliminação, a artilheira do Brasil no Mundial complementou a análise de Morten Soubak. Alexandra também apontou o que teria faltado ao time. “Cometemos alguns erros nos momentos decisivos, e isso não é permitido em um jogo desses. Contar só com a sorte em uma decisão não é suficiente, a gente precisava de algo a mais”.

Ricardo Trida/AE

A ponta direita do Hyppo Niederosterreich, da Áustria, ainda elogiou o comportamento e a quantidade de torcedores no Ibirapuera durante a competição. “Estamos muito felizes por ter visto o ginásio mais cheio a cada dia. Só temos a agradecer. Hoje foi maravilhoso, impressionante. Tive a sensação de que os torcedores estavam dentro da quadra e isso conforta”.
A seleção volta à quadra amanhã às Duas e Meia da Tarde. Pela frente a Croácia e a possibilidade de disputar o quinto lugar contra o vencedor de Rússia e Angola. Uma vitória concede às brasileiras a melhor colocação na história dos Mundiais. Até hoje, o melhor desempenho foi um sétimo lugar no Mundial da Rússia, em 2005.
Confira a campanha da seleção no Mundial de 2011.
Brasil 37 x 21 Cuba
Brasil 32 x 24 Japão
Brasil 26 x 22 França
Brasil 33 x 28 Romênia
Brasil 34 x 33 Tunísia
Brasil 35 x 22 Costa do Marfim
Brasil 26 x 27 Espanha

dez
10

Fim do primeiro ato: aplausos de pé para as indigestas anfitriãs

Lideradas por um dinamarquês, movidas por um sonho e impulsionadas por uma multidão, brasileiras superam projeções na primeira semana do Mundial feminino de Handebol

Uma jogada espetacular e pouco comum determinou a quinta vitória do Brasil em cinco jogos pelo campeonato Mundial feminino de handebol.  Da própria área a goleira Bárbara arremessou para o gol tunisiano vazio. Foi o gol da vitória de 34 a 33 sobre a Tunísia, a senha para um abraço caloroso e aliviado de atletas e Comissão Técnica, sentido por todo um Brasil disposto a contrariar prognósticos e acreditar até o final em objetivos tidos como inalcançáveis.

Foto: Cinara Piccolo / Photo&Grafia)

(Foto: Cinara Piccolo / Photo&Grafia)

 

O gesto contemplou uma primeira fase praticamente perfeita. Além de fazer a lição de casa e passar por cubanas e japonesas, as comandadas de Morten Soubak contrariaram o favoritismo e a tradição da França… deixaram para trás a Romênia. Faltava a Tunísia e a manutenção da autoestima antes das oitavas de final contra a Costa do Marfim na próxima segunda-feira.

E o jogo para cumprir tabela se fez morno em boa parte dos 60 minutos. O Brasil levou em conta o cansaço acumulado na semana intensa em pleno final da temporada e poupou três peças, testou alternativas táticas e aumentou o tempo de quadra de jogadoras que tinham atuado menos. A Tunísia teimava em permanecer na dianteira, o relógio corria mais do que devia e a mudança no panorama do jogo somente nos segundos finais inspirou o abraço, favoreceu o suspiro, estimulou a recarga de energia.

O entusiasmo momentâneo contagiou público e espectadores e traduziu a mobilização do grupo diante dos próximos desafios e da impossibilidade de tropeço. A partir de agora, qualquer resultado adverso é sinônimo de eliminação. O desejo é de continuar fazendo história, de superar a sétima posição do Mundial da Rússia, disputado em 2005.

E na primeira metade do trajeto a estatística brasileira foi aprimorada. Afinal, nunca uma equipe nacional havia terminado uma primeira fase de campeonato Mundial de handebol em primeiro na chave vencendo todos os adversários.

[Veja o gol da Babi: http://www.youtube.com/watch?v=dQZ8WPE3uj4]

[Nota do editor: vamos jogo do Brasil será na segunda-feira (12/12), às 17h15min, no Ginásio do Ibirapuera, contra Costa do Marfim.]
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